Envelhecer: processo natural da vida

Afirma-se que um dos maiores feitos da humanidade foi à ampliação do tempo de vida, devido à melhora substancial dos parâmetros de saúde das populações, ainda que essas conquistas estejam longe de estender-se aos diferentes países e contextos socioeconômicos. Esta conquista do século XX se transformou, no entanto, no grande desafio para o século atual.

Viver mais é importante desde que se consiga agregar qualidade aos anos adicionais de vida. No Brasil, segundo apontam as estimativas deverá alcançar 32 milhões em 2020. Nosso país passa pela “Revolução da Longevidade”, por isso desenvolver os cuidados necessários para se viver melhor e com saúde passa a ser uma meta, afirma o presidente do Centro Internacional da Longevidade no Brasil, Alexandre Kalache.

Viver melhor e com saúde, significa viver de forma ativa. Envelhecimento ativo é o processo de aprimoramento das oportunidades de saúde, participação e segurança, à medida que as pessoas vão ficando mais velhas. “Ativo” refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de estar inserido no mercado de trabalho. As pessoas que se aposentam e aquelas que apresentam alguma necessidade especial podem continuar a contribuir ativamente para com seus familiares, companheiros, comunidades e países de diferentes formas. Manter a autonomia e independência durante o processo de envelhecimento é uma meta fundamental para indivíduos manterem-se ativos, bem como também é meta para os governantes que realmente preocupam-se com a qualidade de vida da população de seu país, estado ou município.

Percebe-se que o envelhecimento assusta algumas pessoas, pois desperta a preocupação com as mudanças do corpo, com as limitações a partir do surgimento de doenças típicas da velhice (alzheimer, diabetes, hipertensão, reumatismos, entre outras) com o falecimento de entes e amigos queridos, com a diminuição da energia para a realização das coisas comuns… Nesse sentido, a Acupuntura é uma opção para o tratamento das dores físicas, de sintomas psicoemocionais, sem a intervenção de medicamentos extras, os quais implicariam em um custo financeiro maior e em algumas situações, essa técnica milenar chinesa evita interações medicamentosas negativas, ou seja, evita o aumento da quantidade ou da gravidade das reações adversas que os remédios podem provocar…

Papalia 2006 refere que a velhice é um estágio de desenvolvimento em que as pessoas reavaliam suas vidas, fecham situações deixadas em aberto e decidem como passar os anos restantes. Alguns querem deixar aos seus descendentes ou ao mundo suas experiências ou corroborar o significado de suas vidas. Outros querem apenas curtir seus passatempos favoritos ou fazer coisas que não fizeram quando jovens. Há também os idosos que se acomodam em rotinas monótonas, focando seu cotidiano nas perdas (do espírito jovial, do corpo sem rugas, nem flacidez, dos que já partiram, da saúde, da disponibilidade financeira, entre outras perdas…). Contudo, esse foco pode ser reavaliado e mudado, seja a partir do desejo de viver mais feliz, seja com o apoio psicológico ou ainda com o apoio de grupos psicossociais.

Os grupos psicossociais assumem uma relevância na medida em que os idosos compartilham com seus pares suas realidades, observando que cada ser é único e capaz de desenvolver em todas as etapas da vida, competências para lidar com adversidades, com novidades e com desafios… Percebem nessa vivência que a idade cronológica, representa apenas um marco, mas não determina ações, ideologias e decisões.

No senso comum, ouve-se falar na resistência a quaisquer tipos de mudança na fase da velhice, pois partem do pressuposto que os conceitos construídos ao longo das vivências, se cristalizaram impedindo quaisquer mudanças em sua personalidade… Fazendo referência ao termo “personalidade”, este não possui uma definição única, mas, de maneira geral, cientistas a descrevem como o conjunto de características psicológicas que marcam os padrões de pensar, sentir e agir, ou seja, atitudes e comportamentos típicos, de um determinado ser humano. Mas o que se destaca aqui é que os “traços de personalidade são mutáveis também na velhice”, podendo contribuir no processo adaptativo do envelhecimento, melhorando a saúde e priorizando a longevidade. A inflexibilidade ou aumento de rigidez não são atribuídos à idade e sim a experiências de vida, por isso se transformam quando há interesse do indivíduo. (Schaie & Willis, 1991).

Entende-se então, que para tornar a vida nessa fase um pouco mais leve e equilibrada, é indicado pensar o quanto são privilegiados em ter muitas experiências e a oportunidade de transmiti-las a quem interessar possa; o quanto se beneficiam em ser sociáveis, adaptando-se aos novos contextos…

Agregar qualidade aos anos adicionais de vida é mais importante do que simplesmente envelhecer. Para manter a independência, a autonomia e a vida ativa, inclusive na velhice, é preciso priorizar princípios básicos como: acompanhamento médico regular, bom convívio social, lazer e atividade física. O envelhecimento aponta que todo o processo de vida seguiu sua trajetória natural e, assim como outras fases, requer cuidados e atenção. Infelizmente, muitos ainda não priorizam comportamentos saudáveis, mas quanto maior o acúmulo de hábitos benéficos, maior será o potencial de se alcançar uma expectativa de vida mais prolongada e feliz.

Por Cristiane Richter – Psicóloga & Acupunturista do Espaço Vida Centro Terapêutico.

 

Referências Bibliográficas

Kaplan, H. I., Sadock, B. J. & Grebb, J. A. Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. Porto Alegre: Artmed. 1997.
Papalia, D. E., Olds, S. W., & Feldman, R. D. Desenvolvimento humano. 8 Edição, D. Bueno, Tradução. Porto Alegre: Artmed. 2006.
Schaie, K. W.Intelectual development in adulthood. Em J. E. Birren & K. W. Schaie (Orgs.), Handbook of the psychology of aging (Traduzido). San Diego, California: Academic Press. 1996.